domingo, 1 de março de 2015

O canto da baderna - para que serve e como funciona

Quando éramos crianças, meu irmão e eu tínhamos uma brincadeira chamada O Sítio. Funcionava assim: no varandão empoeirado, jogar todos os brinquedos no chão e brincar de tudo ao mesmo tempo agora. Do carretel de madeira da vovó à Barbie, do Lego ao dinossauro, todos os tamanhos e formatos de brinquedos eram permitidos, com uma condição: nenhuma regra era permitida.

Uma foto privilegiada do nosso cantinho da baderna
Faz tempo que quero um blog para chamar de meu. Um blog sem compromisso e sem pretensão revolucionária, para falar das coisas que me agradam e interessam: rock n' roll, video game, desenho animado, literatura... e feminismo. Muita gente acha que feministas são frígidas máquinas de pensar, com nenhum outro objetivo na vida além de destruir o patriarcado... o que é quase verdade mesmo. Além da frigidez, a parte mentirosa desse raciocínio é fazer uma leitura simplista e superficial da máxima "o pessoal é político". Politizar nossos gostos, nosso cotidiano, não significa que a polícia feminista vai bater na sua porta e confiscar todos os seus livros do Harry Potter ou rasgar seu vestido favorito. Porém, quando o feminismo se torna uma prática cotidiana, o exercício político de determinadas ideias voltadas ao combate da misoginia, os nossos gostos, nossa visão de mundo, acabam abalados, se transformam drasticamente.

Para além de feminista, esse blog é radical. Acredito que a consciência humana não tenha uma vida independente da materialidade em que nossos corpos estão inseridos. Os sistemas de poder e de produção são integrados por complexos mecanismos materiais bem como discursivos, que conformam nossos desejos e interesses. Não considero que exista, por isso, uma feminista perfeita, acabada, trabalhada na desconstrução, e que jamais reproduza misoginia em sua vida. Portanto, a desconstrução é um processo contínuo, já que continuamos submersas no patriarcado, recebendo suas influências, expostas a suas violências físicas e discursivas. Por tudo isso, este blog tem, no fundo, um caráter narrativo. Ele acompanha desconstruções, problematizações, de questões que me são muito caras, que tiveram um papel formador na pessoa que eu sou. Por essa razão, principalmente, eu decidi comprar a briga de fazer um blog pessoal, autoral; eu queria estar no lugar de uma mulher que fala o que pensa, capaz de se comunicar horizontalmente com outras mulheres que falam o que pensam.

Voltando ao "pessoal é político": eu amo o pensamento feminista. Em termos de corrente, estou assentada no feminismo radical - muito bem, obrigada - mas nunca deixo de ler outras pensadoras, de outras correntes. Como menina geek-desde-criancinha (no meu tempo nós éramos chamadas de CDFs, antes de sermos atingidas pelo raio gourmetizador...), eu gosto de estudar os assuntos de que falo. Estudar mesmo, fazer fichamento, citar fontes, comprar livros sobre o assunto. Razão pela qual as postagens deste blog infelizmente serão escassas. O que estou tentando fazer aqui é materializar o resultado de cinco anos de pesquisa feminista, independente e aplicada, sobre os diversos temas que tratei na minha vida acadêmica, na minha vida pessoal e sobretudo em minha vida política.

Por hoje é só. Entrem e fiquem à vontade =)

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